terça-feira, abril 25, 2006

SUAVE

A palavra SUAVE é tão suave que,
agora mesmo,
quero pousar nela a cabeça e adormecer.

Pedro Almeida

sábado, abril 22, 2006

Saudade

Por esto me gusta la palabra Saudade
Sentado en un café, miro la calle desde una gran ventana y veo la lluviacaer torrencialmente.
Bajo los soportales, un trompetista callejerointenta tocar "A mi manera" de Fran Sinatra.
Siento una tristeza difusa, pienso en lo lejos que esta, ella y todas las personas que me hacensentir feliz.
Lo lejos que esta el sol de esa playa donde me gusta pasear. Lo lejos que están algunos lugares que me hacen sentirme encasa.
Y la palabra SAUDADE se disuelve en mi garganta como un caramelo agridulce.
Duele, pero me gusta porque esa palabra consigue contener lo inabarcable, todo lo que amo.
La ausencia hecha presencia.

Carles García Domingo

terça-feira, abril 11, 2006

pessoa

pessoa

acolhi-me na sombra de pinheiros mansos
colhi pinhões torrados em fornos de sol
desfolhei olhar verde no livro dos campos

recolhi-me imerso em natureza farol
fundi-me em silêncio num cadinho braseiro
inteiramente corpo em espírito inteiro

e
renasci
pessoa

annadanielsant'iago




sexta-feira, abril 07, 2006

Silêncio

SILÊNCIO
(que outra forma de explicar a escolha? ficcionando-a...)

"... permaneci em silêncio (________).
E então desisti. Abri o envelope cheio de selos, cheio de uma história que desconhecia e que me surpreendera na caixa do correio. Abri a proposta que me deixaria atónito por muito tempo, em silêncio, a olhar pela janela, para as árvores, e da janela para os papéis que vinham dentro do envelope, e dos papéis novamente para as árvores para lá da janela. Somos mais cruéis do que desumanos. Somos mais cruéis que desumanos. Somos a Besta. O anticristo. Somos todos a Morte. O frio saltitante da morte. Sacrificamo-nos a nós próprios, como se nos oferecessemos a um deus menor do Olimpo. Sacrificamos a simplicidade honesta da existência. Transformamo-nos e transformamos o mundo num palco de regras e limitações. Somos o nosso próprio carcereiro! A morte de nós mesmos. Num dos fragmentos. E eu?! Eu. Não sei porquê, mas senti uma repentina vontade de começar a ler aquilo tudo.
(Poderia começar assim a minha justificação, o meu acto de contrição! O tema da involuntariedade é recorrente na literatura, não é? O herói, e muitos nem o chegaram a ser, começa sempre por um acto involuntário: uma ida a um café a que nunca fora; um percurso pelo cemitério; aceitar um convite que à partida estaria recusado. É muitas vezes assim: abrimos um livro e lá está o homem, prontinho para nós escarrapachado! E o narrador, inteligente como tudo, entra-lhe na cabeça... sabe tudo o que ele pensa... mesmo no silêncio!

Saí e abandonei-me num passeio sem destino pelas ruas do bairro que envolve a minha casa, triturando e fazendo crepitar as folhas secas que caíam das árvores, como fazia em criança naquela terra que fora dos meus pais, naquele fim do mundo, naquele buraco onde me fizeram nascer, passeei sem destino apertando firmemente a folha amarrotada que trazia no bolso das calças, e desses minutos, duas horas talvez, nada, apenas______o vazio.
Silêncio."

O silêncio é essa maior simplicidade honesta da existência.

quinta-feira, abril 06, 2006

Algodão

Algodão.
disse logo: algodão. algodão é uma palavra bela. e deve haver uma razão__ ou várias, para que esta palavra, e não outra qualquer, tenha saltado logo do topo da minha mente. é verdade que se chama por ela facilmente: [á]____lgodão. olho outra vez para a palavra. vou olhar imensas vezes para descobrir sentidos____ os que me são familiares e outros estranhos que aparecem sempre que olhamos muito para uma coisa. al__godão alkutum é árabe e gosto do Bi Kidude, rei do taarab. a generosidade de algo__dão contraria o vício capitalista de estimar um preço para tudo. quem dá vai ser____ a senhora da roulotte no parque de diversões, às escondidas do marido que pede 5 euros por algodão azul, rosa ou branco. doce. tenho cinco anos e lambuzo-me de algodão. e trinta anos depois, também. estico o algodão, arranco um pedaço enorme e meto-o na boca. as cores são as da infância. a roupa dos meus bebés. e os tecidos! laváveis a mais de 30°, hipoalergénicos, saudáveis. mas esses não são doces, são macios. estes e os que desmaquilham e lavam feridas.
o que há de universal no algodão: em todos os sentidos da palavra, estica-se na mão. depois de deixar de ser semente. desde a colheita. sendo certo que é melhor evitar falar das plantações. o passado do algodão é negro de escravidão, o presente é tranogânico! por outro lado, se o algodão é História, o algodão é rico. oh, nada desvirtua a beleza da palavra! cor, sabor, textura, filamento de sentidos que não se desvanecem com este saber em rama.


Rosário Fardilha

quarta-feira, abril 05, 2006



As palavras do Poeta da amada rádio levaram-nos até outra porta que decidimos abrir.
Falava de um lugar, um sítio na rede onde algumas pessoas decidiram colocar à votação qual a palavra mais bela do castelhano.

O sítio www.escueladeescritores.com pergunta aos cibernautas qual é para cada um a palavra mais bela no seu idioma. É bela a ideia.
A ideia de Palavra. A Ideia com palavras.
Fazem-no com o pretexto de celebrar o Dia do Livro, que aparece este mês no calendário (dia 23).
A propósito do livro celebra-se a Palavra.
Passeando por esse lugar virtual destacamos a escolha do poeta Luis García Montero :
despertador “Que tem que ver com o dia que virá por diante, mas que é menos perigosa que amanhecer, que é desse tipo de palavras que se te apanha num descuido pode eventualmente transformar-se num hino; Despertar é avisar. Despertador é o que avisa.”
Sentimo-nos avisados e apeteceu-nos fazer o mesmo aqui no burgo,
aceitar o repto do Poeta da amada rádio que do alto da sua frequência incitava à pergunta:

e no nosso idioma qual é a palavra mais bela?

Se quer participar nesta declaração de amor às palavras pense naquela que quer eleger e escreva sobre ela, ou para ela , um pequeno texto que pode enviar para davidasecretadaspalavras@hotmail.com
Os textos serão publicados por nós neste blog.
A ideia fomos roubá-la aqui e aqui
As mãos para fazer são dos tripulantes do Navio de Espelhos e do George Cassiel.

Aqui na Livraria também vai haver um lugar onde deixar as palavras.

Até dia 23 de Abril.